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ACIDOSE MUSCULAR – PARTE III

Nessa terceira parte do artigo sobre acidose muscular, iremos discorrer sobre alguns possíveis recursos para diminuir a acidose muscular e seus efeitos negativos para a performance.

INTRODUÇÃO

Vimos na matéria anterior que o aumento na concentração de lactato decorrente de uma sessão de musculação pode ser benéfico, devido a relação do lactato com hormônios anabólicos como testosterona e GH. Por sua vez, esses hormônios possuem uma forte correlação com o aumento na força e hipertrofia muscular.

È comum também observarmos o aumento do lactato (e um conseqüente quadro de acidose muscular) após a realização de uma prática esportiva (especialmente em uma situação competitiva). O lactato aumenta conforma aumenta o ritmo da glicólise, e em situações competitivas, a acidose muscular pode ser ainda mais aumentada devido ao stress causado pela ansiedade antes/durante a competição. Lembrando que o stress pode causar aumentos de hormônios como adrenalina, cortisol, entre outros.

Beta-alanina

Pesquisas recentes indicam que a suplementação de Beta-alanina pode diminuir o quadro de acidose muscular. Esse aminoácido, juntamente com o aminoácido histidina, é responsável pela síntese de um aminoácido essencial para o tamponamento do lactato, chamado de carnosina.

Este aminoácido parece exercer certas vantagens com relação a outros tamponantes de lactato, como o bicarbonato.

A carnosina possui uma maior concentração no músculo, o que aumenta a sua capacidade tamponante. Estudos realizados com a suplementação de Beta-alanina têm indicado aumentos significantes na performance em exercícios principalmente com características de alta intensidade. Além disso, parece não haver efeitos colaterais com a utilização desse aminoácido como forma de tamponamento do ácido lático, ao contrário da utilização de outros tamponante de lactato, como o bicarbonato, que pode causar desconfortos gastrintestinais severos. Porém, existem algumas ressalvas a serem feitas quanto a suplementação com Beta-alanina, principalmente quanto a quantidade a ser utilizada, tempo de uso, entre outros questionamentos que precisam ser elucidados com mais pesquisas científicas. O fato é que a suplementação com Beta-alanina parece ser uma boa alternativa para diminuir a acidose muscular e evitar seus efeitos indesejáveis.

Controle sobre o stress

O stress competitivo pode causar aumentos na concentração de lactato antes e/ou durante a realização de uma prática esportiva. Neste sentido, atletas de alto rendimento têm utilizado técnicas para o controle da ansiedade, como Yoga, meditação, entre outras. Essas práticas podem ser de extrema importância para a redução da acidose muscular, sendo que atletas de Jiu Jitsu e MMA têm relatado uma melhora na performance com essas práticas.

Treinamento de resistência a fadiga

Nosso organismo tem uma capacidade impressionante de se adaptar a situações estressantes (como em um quadro de acidose muscular). Uma das maneiras de se diminuir os efeitos negativos da acidose muscular durante uma competição (dor, cansaço, falta de atenção, desconforto gastrintestinal, entre outros) é aumentando a tolerância do atleta à acidose. Uma das maneiras de se fazer isso é justamente realizar treinamentos em situações de “acidose muscular” durante o período de treinamento. Neste sentido, é comum a utilização de circuitos (pouco ou nenhum intervalo de recuperação) de intensidade moderada/alta, com o objetivo de aumento nas concentrações de acido lático. È importante ressaltar que as concentrações de lactato não devem ficar abaixo das concentrações encontradas durante a prática competitiva do atleta. Por exemplo, um atleta de Jiu Jitsu aumenta sua concentração de lactato de 2 Mmol de lactato (pré luta) para 9 Mmol de lactato (pós luta), tendo um aumento de 7 Mmol de lactato. Caso o objetivo do treino seja o de provocar acidose muscular, as concentrações de lactato não devem ficar abaixo de 7 Mmol de lactato (esses valores são fictícios).

Prof. Mestrando Gustavo Barquilha

Membro do ICAFE – Universidade Cruzeiro do Sul

Pesquisador do GEPEFFA – Unifieo

Preparador Físico da Equipe Black Belt JJ Club (Jiu Jitsu e MMA)

Site: www.gustavobarquilha.com.br

Referências

Harris RC, Tallon MJ, Dunnett M, Boobis L, Coakley J, Kim HJ, Fallowfield JL, Hill CA, Sale C, and Wise JA. The absorption of orally supplied beta-alanine and its effect on muscle carnosine synthesis in human vastus lateralis. Amino Acids 30: 279-289, 2006.

Por Gustavo Barquilha Joel ([email protected])

Membro do Instituto de ciências da Atividade Física e Esportes (ICAFE) – Universidade Cruzeiro do Sul

Pesquisador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Exercício Físico e Fisiologia Aplicada (GEPEFFA) – Unifieo

Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

Preparador Físico/Fisiologista de Atletas de Alto Rendimento

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Beta-Alanina - um novo aliado dos exercícios intensos e contínuos

Se você pratica exercícios de alta intensidade e com duração maior do que alguns minutos, como corridas intensas, futebol, esportes coletivos ou até mesmo treino de musculação, desde que sejam intensos, você precisa conhecer a nova aliada, a Beta-Alanina.

A Beta-Alanina é um aminoácido beta (outro tipo de aminoácido, não participante da síntese de proteínas, exclusivamente dos aminoácidos alfa) que juntamente com a histidina é responsável pela síntese de um importante tamponante para a fadiga localizada, comum nos exercícios físicos de alta intensidade, a Carnosina.

Em situações de exercícios intensos e de duração média a prolongada, como uma aula de spinning depois do treino de musculação, ou uma corrida de 10km com o "coelho" do grupo, uma maior quantidade de Carnosina dentro do músculo é capaz de evitar ou atrasar a formação de um tradicional "vilão" dos exercícios rigorosos responsável pelo surgimento da fadiga, o ácido lático. A Carnosina é um dipeptídeo (molécula composta por dois aminoácidos) sintetizado no músculo a partir de seus dois constituintes (a Beta-Alanina e a Histidina), mas a pergunta é válida, por que então, não suplementamos direto com a Carnosina?

A ingestão da carnosina é degradada no trato digestivo (estômago e intestino) em seus dois constituintes, que apesar de seguirem sendo novamente utilizados na formação da própria Carnosina, sofrem uma perda em seu aproveitamento em todo esse processo, sendo mais proveitoso do ponto de vista fisiológico e econômico a suplementação com Beta-Alanina do que com a Carnosina. A suplementação com Beta-Alanina é capaz de promover um aumento real, demonstrado cientificamente, na concentração intramuscular de Carnosina.

Diferente de outros tampões orgânicos (como o bicarbonato), a Carnosina (Beta-Alanil-L-Histidina) tem algumas características químicas e uma concentração no músculo mais alta sendo, portanto, mais eficiente para manter o pH do músculo e do sangue do que outros tamponantes naturais.Seu protocolo de suplementação lembra o da creatina, pois segue o mesmo princípio de abastecimento do músculo de forma crônica (cerca de 6 a 7 semanas). Uma dose de 6,4g por dia por 28 dias promove um aumento de 60% na concentração de Carosina. Alguns estudos mostram que mesmo uma fase de 21 dias é um período adequado para promover um abastecimento suficiente de Beta-Alanina para aumentar a concentração de Carnosina. Artigos mais recentes mostram que aumentos ainda maiores de Carnosina podem ser obtidos quando combinamos a suplementação Beta-Alanina com o treinamento de alta intensidade.

O aumento na performance já está bem estabelecido. Hill e colaboradores demonstraram uma melhora de 13% no trabalho total realizado após a suplementação de 4 semanas de suplementação de Beta-Alanina e um aumento extra de 3,2% depois de 10 semanas. Zoeller e colaboradores também relataram aumento no limiar ventilatório em uma amostra de homens não treinados depois da suplementação de Beta-Alanina (3,2g por 28 dias). Kim e colaboradores também encontraram aumento no limiar ventilatório e no tempo total até exaustão em ciclistas treinados depois da suplementação de 12 semanas (4,8g/dia) e treinamento de resistência de alta intensidade. Além disso, Stout e colaboradores relataram um atraso significante na fadiga muscular medida pela capacidade do trabalho no limiar de fadiga, em ambos, homens e mulheres depois de 28 dias de suplementação com Beta-Alanina (3,2g a 6,4g por dia).

Não foram encontrados até agora, na literatura, efeitos colaterais a respeito da utilização de Beta-Alanina, dentro das quantidades utilizadas nos estudos citados. Associada aos resultados apresentados, essa sem dúvida é uma boa notícia para quem busca uma suplementação efetiva e segura.

Conclusão

A Beta-Alanina parece ser um suplemento promissor para a melhora da performance já testada em diversos tipos de exercícios, suas características metabólicas parecem ser úteis para outras tantas situações de exercício.

http://ultimatesuplementos.blogspot.com/2010/04/beta-alanina-um-novo-aliado-dos.html#ixzz14k52ydpI

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