Triiodotironina (T3) é um hormônio da tireoide envolvido na regulação do metabolismo e queima de gordura. Por conta disso, há um interesse crescente em saber como usar o T3 para emagrecer, especialmente por praticantes de musculação que tem como objetivo primário a mudança corporal.
Neste texto, veremos para que serve o T3, como ele funciona (na prática), seus efeitos positivos e, o mais importante e ignorado: os efeitos colaterais associados ao uso.
O que é e para que serve o hormônio T3 no contexto estético?
O hormônio T3, ou triiodotironina, é um hormônio produzido pela tireoide e tem um papel central na regulação do metabolismo.
De forma simplista, o hormônio altera o metabolismo agindo dentro das células, estimulando a produção de proteínas que aumentam a atividade mitocondrial — onde ocorre a queima de calorias.
Quando há mais T3 que o normal no organismo, a produção de energia e calor aumenta, fazendo com que o corpo gaste mais calorias, mesmo em repouso e mesmo sem fazer alterações na alimentação.
A presença de T3 nas células também reforça a ação de outros hormônios que ajudam na queima de gordura, como a adrenalina, que, entre suas diversas funções, pode facilitar a quebra da gordura para ser usada como energia.
Não é preciso se aprofundar muito no assunto para entender por que muitas pessoas buscam no T3 uma forma de acelerar a queima de gordura, especialmente no contexto da musculação e fisiculturismo.
No entanto, é preciso reforçar que T3 é um hormônio naturalmente produzido pelo organismo e, como tal, necessita de um equilíbrio, onde ter menos ou mais que o necessário trará efeitos adversos para a saúde, tanto no curto como no longo prazo.
Como o T3 é usado para emagrecer?
Todos nós produzimos o suficiente de T3 para manter o metabolismo saudável. Logo, para obter os benefícios do hormônio para emagrecer, é preciso aumentar os seus níveis acima do natural.
Isso só pode ser feito através da adição (da suplementação) extra do hormônio T3 em sua forma sintética, algo que é feito através do uso de liotironina sódica, que é uma “cópia” do hormônio em forma de comprimido oral.
Ao aumentar os níveis de T3, os efeitos costumam aparecer rapidamente, em questão de dias ou poucas semanas, já que ele atua diretamente no metabolismo e a resposta costuma ser rápida.
Apesar disso, e mesmo que seus efeitos ocorram em repouso (sem fazer atividade física) e sem alterações na dieta, os melhores resultados só poderão ser obtidos em combinação com atividade física e alteração de hábitos alimentares.
O uso de T3 no contexto de mudança corporal deve ser visto mais como um “acelerador” de resultados e menos como o principal causador.
Como costuma ser um ciclo de T3 (dosagem e tempo de uso)
O uso mais comum da T3 para queima de gordura costuma ser na forma de ciclos do tipo pirâmide, começando com doses mais baixas — entre 12,5 e 25 mcg por dia — e aumentando progressivamente a cada uma ou duas semanas, podendo chegar a 75 ou até 100 mcg por dia (1).
Como T3 genuína não é facilmente obtida, muitos produtos disponíveis no mercado são de procedência duvidosa e pode haver variação significativa na potência, o que leva muitos a utilizarem doses muito acima das mencionadas, o que envolve riscos consideráveis.
Em relação ao tempo de uso, um ciclo comum não costuma durar mais que 6 semanas (2), com a interrupção feita de forma gradual, reduzindo a dosagem semanalmente para permitir que o organismo se adapte.
Isso porque o T3 suprime a produção natural do hormônio pelo corpo, algo que pode demorar semanas para voltar aos níveis normais após o fim do ciclo.
Efeitos colaterais do uso de T3
Quando usado para tratar hipotireoidismo e em doses terapêuticas, os efeitos colaterais do T3 são praticamente nulos, e a substância pode ser vista como algo inofensivo.
Todavia, não é possível transferir essas características quando o hormônio é usado visando mudanças estéticas. Ou seja, em pessoas saudáveis e que vão elevar os níveis de T3 acima dos naturais.
Elevar artificialmente os níveis de T3 traz consigo uma gama de benefícios que acelerarão a queima de gordura, mas isso vem acompanhado de riscos e efeitos colaterais, como:
- Aumento da frequência cardíaca
- Ansiedade
- Insônia
- Sudorese excessiva
- Tremores
- Dor de cabeça
- Aumento do ritmo intestinal
- Irregularidades menstruais
- Perda de massa muscular
- Supressão da produção natural de T3
- Efeito rebote
- Insuficiência cardíaca
- Irritabilidade
- Risco de overdose
A incidência e o grau desses efeitos colaterais podem variar de acordo com a dose, tempo de uso, doenças pré-existentes e tolerância individual.
Porém, alguns desses efeitos colaterais merecem atenção especial:
Efeitos colaterais cardiovasculares
Os efeitos colaterais cardiovasculares do T3 exigem atenção redobrada, já que o hormônio acelera diretamente o metabolismo e, por uma série de fatores, isso também aumenta a atividade cardíaca.
Logo, efeitos colaterais como taquicardia (batimentos acelerados), palpitações, aumento da pressão arterial e arritmias podem ocorrer com o uso.
Em indivíduos predispostos ou que já têm alguma condição cardíaca oculta, o uso de T3 pode piorar o problema, podendo até evoluir para insuficiência cardíaca.
Perda de massa muscular
A perda de massa muscular com o uso de T3 ocorre porque o hormônio acelera o metabolismo como um todo, e isso não envolve apenas queima de gordura.
Quando os níveis de T3 estão elevados artificialmente, o corpo entra em um estado hipermetabólico, em que utiliza mais energia do que o normal.
É válido lembrar que o corpo não obtém energia apenas das gorduras, mas de todas as fontes, como as proteínas.
Isso inclui as proteínas dentro dos músculos, que podem ser quebradas e transformadas em glicose, para, então, serem usadas como combustível quando o metabolismo está acelerado.
Em termos simples, o uso de T3 pode favorecer tanto a queima de gordura como a “queima” de massa muscular, especialmente se não houver uma estratégia bem definida por trás do uso.
Além disso, o T3 pode reduzir a síntese proteica e aumentar a degradação muscular diretamente — especialmente em pessoas que não estão usando esteroides anabolizantes em conjunto, o que, nesse caso, geraria um efeito poupador de massa muscular.
Supressão da produção natural de T3
A supressão da tireoide natural ocorre quando o corpo, ao receber T3 sintético (liotironina), reduz ou interrompe a produção natural.
Isso acontece porque o organismo entende que já há hormônio suficiente circulando, sinalizando para a hipófise diminuir a liberação de TSH, o hormônio que, em termos simples, estimula a tireoide.
Como resultado, a glândula tireoide não voltará a funcionar normalmente logo após a interrupção do uso, levando a uma queda na produção natural de T3 e T4.
Aliás, o corpo pode levar semanas para normalizar a função normal da tireoide — ou, em casos extremos, pode não se recuperar totalmente, resultando em hipotireoidismo induzido, exigindo reposição hormonal contínua.
Risco de overdose
Ao contrário do que acontece com esteroides anabolizantes, onde o abuso pode ocorrer por um período longo e sem causar sintomas perceptíveis até que seja tarde demais, o abuso de T3 pode causar overdose “imediata”.
Como vimos acima, o uso de T3 afeta como o sistema cardiovascular funciona, e seus efeitos são dose-dependentes.
Isso significa que, quando usado em doses muito altas, o T3 pode causar arritmias cardíacas graves, crise hipertensiva e outros efeitos que podem causar sérias (e imediatas) consequências.
Disponibilidade (onde comprar)
No Brasil, o hormônio T3 (liotironina sódica) não possui uma versão comercial amplamente disponível nas farmácias comuns, como ocorre com o T4 (levotiroxina).
Por isso, seu uso geralmente se dá por meio de manipulação em farmácias especializadas, sob prescrição médica, ou por meio do mercado paralelo (mercado negro).
Referências
O Hipertrofia.org mantém critérios rigorosos de referências bibliográficas e dependemos de estudos revisados por pares e pesquisas acadêmicas conduzidas por associações e instituições médicas. Para obter mais informações detalhadas, você pode explorar mais lendo nosso processo editorial.
- HALUCH, Dudu. Hormônios no fisiculturismo: história, fisiologia e farmacologia – 2017. Página 219.
- LLEWELLYN, William. Anabolics. 11th ed. [S.l.]: William Llewellyn Publications. Página 593.